Local: Santana de Paranaíba, SP
Construção: 390 m²
Terreno: 750 m²

Implantada em um terreno de alta declividade em Aldeia da Serra, em Santana de Parnaíba, a Casa LOD nasce de uma combinação pouco óbvia: um lote retangular com cerca de 800 m² porém com uma inclinação muito severa, próxima de 100% em alguns trechos. A partir desse ponto de partida, o escritório Cornetta Arquitetura desenvolveu uma residência em que topografia, estrutura e espacialidade foram pensadas como partes de uma mesma equação.

A residência, de presença discreta a partir da rua, possui uma implantação surpreendente. Vista pela fachada frontal, a casa revela uma escala contida, com garagem para um carro, estrutura metálica branca e tijolo aparente. Ao atravessar o acesso, a arquitetura se abre progressivamente: a escada conduz aos níveis inferiores e revela o volume suspenso sobre a encosta, com um balanço expressivo voltado para a vista da serra. “É um projeto em que a estrutura fala mais do que o usual. Ela delimita a estratégia de implantação, define o tamanho dos pavimentos e organiza a própria arquitetura”, afirma Cornetta. “Sem essa concepção estrutural, a casa simplesmente não existiria dessa forma.”

A estrutura chegou ao canteiro pré-fabricada e foi montada com auxílio de guindaste. As lajes foram executadas em sistema seco, dispensando concretagem sobre a estrutura. As divisórias internas foram feitas em drywall, também a seco. A cobertura plana recebeu membrana de PVC e acabamento em argila expandida, solução que contribui para reduzir o peso total da edificação e preservar o perfil retilíneo do volume.

Essa lógica construtiva permitiu que a casa se apoiasse minimamente na encosta e ganhasse leveza visual, apesar da complexidade técnica. O pavimento principal, maior que os demais, funciona como uma grande treliça apoiada na caixa estrutural que desce pelo terreno. As diagonais aparentes nas fachadas, além de contribuírem para o enrijecimento e melhoria do desempenho da estrutura, tornam-se parte da linguagem arquitetônica da residência.

Outro elemento marcante é o grande brise horizontal que acompanha a lateral da fachada. A peça ajuda a controlar a incidência do sol poente, amplia a privacidade em relação aos lotes vizinhos e reforça a horizontalidade do volume suspenso. Durante o dia, o brise filtra luz e enquadramentos. À noite, perde protagonismo visual e permite que a caixa iluminada apareça como um volume pendurado na paisagem.

No pavimento principal, sala, jantar e cozinha se integram à varanda mirante e à vista da serra. A cozinha ocupa posição central na rotina dos moradores, que gostam de cozinhar e receber. Por isso, o projeto prevê uma cozinha principal aberta e uma cozinha de apoio, destinada a preparos mais intensos. A solução preserva a integração visual do ambiente principal, sem renunciar à funcionalidade exigida pelo uso cotidiano.

A circulação vertical é organizada por uma caixa de escada revestida em pedra moledo mesclada, que atravessa os três pavimentos. A escada metálica, pintada de branco, segue a mesma lógica da estrutura principal e mantém a leitura contínua do sistema construtivo. Nos níveis inferiores, o programa se distribui entre duas suítes, sala de TV, escritório, área multiuso, bar, estar e apoio à saída para o jardim.

A Casa LOD sintetiza uma questão central da prática arquitetônica em terrenos complexos: antes de impor um desejo ao lote, é preciso entender o que aquele lugar permite. A residência parte de uma escuta técnica da topografia e transforma restrição em desenho, fazendo da estrutura metálica, dos sistemas secos e dos balanços uma resposta arquitetônica à própria encosta.

ENGLISH:

Located on a steeply sloping plot in Santana de Parnaíba, São Paulo state, Brazil, Casa LOD arises from an unusual combination: a rectangular lot of approximately 800 m² but with a very steep incline, close to 100% in some sections. From this starting point, the Cornetta Arquitetura office developed a residence where topography, structure, and spatiality were conceived as parts of the same equation.

The residence, discreetly present from the street, has a surprising layout. Viewed from the front facade, the house reveals a restrained scale, with a garage for one car, a white metal structure, and exposed brick. Upon entering, the architecture progressively opens up: the staircase leads to the lower levels and reveals the volume suspended over the slope, with an expressive overhang facing the mountain view.

The structure arrived at the construction site prefabricated and was assembled with the aid of a crane. The slabs were executed using a dry system, eliminating the need for concrete pouring over the structure. The internal partitions were made of drywall, also using a dry system. The flat roof received a PVC membrane and expanded clay finish, a solution that helps reduce the building’s overall weight and preserve the rectilinear profile of the volume. This construction logic allowed the house to lean minimally on the slope and gain visual lightness, despite the technical complexity.

On the main floor, the living room, dining room, and kitchen integrate with the observation deck and the mountain view. The kitchen occupies a central position in the residents’ routine, who enjoy cooking and entertaining. Therefore, the project includes an open main kitchen and a support kitchen, intended for more intensive preparations. The solution preserves the visual integration of the main environment without sacrificing the functionality required for daily use.

Vertical circulation is organized by a staircase clad in rough stone, which crosses all three floors. The metal staircase, painted white, follows the same logic as the main structure and maintains the continuous reading of the construction system. On the lower levels, the program is distributed among two suites, a TV room, an office, a multipurpose area, a bar, a living room, and support for access to the garden.

The LOD House synthesizes a central issue in architectural practice on complex terrains: before imposing a desire on the plot, it is necessary to understand what that place allows. The residence starts from a technical listening to the topography and transforms restriction into design, making the metal structure, the dry systems and the cantilevers an architectural response to the slope itself.

Local:Santana de Paranaíba, SPÁrea Construída:390 m²Área do Terreno:750 m²Período de Execução:2024 -2025Equipe de Arquitetura:Pedro Cornetta, Renan Antiqueira, Laura HilesmaaProjeto de Interiores:Pedro Cornetta, Renan AntiqueiraProjeto Estrutural de Concreto:Raep EngenhariaProjeto Estrutural Metálico:Grupo RPProjeto Hidrossanitário:Raep EngenhariaProjeto Elétrico:Raep EngenhariaProjeto de PaisagismoPatrícia ForoniExecução de Obra:Pierri Cotta EngnehariaExecução de Estrutura Metálica:Grupo RPExecução de Cobertura:SoludimperEsquadrias:MAV EsquadriasFotografia:Manuel SáFilmagem:Manuel SáEdição de Vídeo:Pedro Cornetta

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