Local: Santo Antônio do Pinhal, SP
Construção: 690 m²
Terreno: 4.890 m²
Em Santo Antônio do Pinhal, no coração da Serra da Mantiqueira, a Casa Pinhal nasce de um encontro raro entre ambição arquitetônica e conservação. Implantada em um terreno de 4.900 m² com declive acentuado e vegetação nativa consolidada, a residência de 690 m² foi desenhada a partir de um princípio claro: tocar o lugar o mínimo possível e, ainda assim, construir uma casa de porte generoso, capaz de acolher a vida em família, as temporadas na serra e a paisagem como protagonista.
Fora a base em concreto, a construção foi concebida com madeira laminada colada de eucalipto, wood frame, drywall e lajes secas, em um sistema que reduz o consumo de insumos, acelera a obra e favorece uma lógica construtiva mais limpa, precisa e de manutenção simplificada.
O programa foi pensado para responder ao modo de uso dos proprietários, um casal que buscava uma casa de fim de semana na serra, com funcionamento confortável no dia a dia e capacidade de receber a família nos períodos de visita. No pavimento principal, cozinha, jantar e living formam um grande ambiente integrado, ao lado da suíte master. No piso superior, três suítes e um escritório se distribuem em duas alas conectadas por uma passarela sobre o pé-direito duplo da sala. Na prática, a organização permite que a casa funcione quase como uma residência térrea quando ocupada apenas pelo casal, e se expanda com naturalidade nos fins de semana e nas temporadas com filhos e hóspedes.
Mais do que um gesto formal, o pé-direito duplo é parte central do desempenho ambiental da casa. Em uma região marcada por noites frias e amplitudes térmicas elevadas, o projeto foi orientado para capturar com eficiência o sol da manhã, aquecendo os ambientes ao longo do dia. Grandes planos envidraçados trabalham em conjunto com a altura interna e com beirais profundos, que filtram a incidência excessiva nos meses quentes e ajudam a manter o equilíbrio térmico ao longo do ano. O resultado é uma casa passiva, resiliente e afinada com o clima local, onde conforto não depende de excesso tecnológico, mas de implantação, orientação solar, ventilação e desenho.
Essa mesma lógica aparece na expressão material do projeto. O pavimento inferior explicita sua relação com o terreno por meio do concreto aparente, da pedra bruta e de uma linguagem mais densa. Acima, a casa assume um tom mais leve e horizontal, marcado pela madeira, pela transparência e por um longo brise que qualifica a fachada voltada para a rua, controlando privacidade e luz. Na fachada oposta, a que se abre para a vista, o contraste entre concreto e madeira se dissolve sob o filtro das copas existentes. A casa aparece sempre atravessada pelas árvores, quase como se nunca se mostrasse inteira.
Nos interiores, a estratégia foi equilibrar presença material e sobriedade. Estrutura, forros e pisos de madeira convivem com pedra moledo, concreto polido e superfícies neutras, compondo uma atmosfera silenciosa, sofisticada e profundamente brasileira. O mobiliário segue a mesma direção, com peças de alto padrão de desenho nacional, em um conjunto que evita excessos e deixa a arquitetura respirar.
Um dos pontos altos do projeto é o mirante que prolonga a área social e conecta a residência principal a um segundo volume dedicado ao bem-estar, com spa, sauna, academia e ofurôs. Voltado para a paisagem, esse percurso reforça a experiência de habitar a serra com intensidade, sem recorrer a gestos óbvios ou soluções de alto impacto. Ali, a vista se amplia para a vegetação do próprio lote e alcança a Pedra do Baú, um dos marcos geográficos mais emblemáticos da região.
À noite, a casa muda de registro. Com a iluminação interna refletida na madeira, no concreto e nos panos de vidro, o volume se acende no meio do bosque como uma lanterna silenciosa. As árvores passam a operar como silhueta, a arquitetura ganha presença e o projeto revela outra vez sua principal qualidade: a capacidade de pertencer ao lugar sem precisar dominá-lo.
ENGLISH:
In Santo Antônio do Pinhal, São Paulo State, Brazil, in the heart of the Serra da Mantiqueira, Casa Pinhal was born from a rare encounter between architectural ambition and conservation. Situated on a 4,900 m² plot with a steep slope and established native vegetation, the 690 m² residence was designed based on a clear principle: to impact the site as little as possible while still constructing a generously sized house capable of accommodating family life, mountain retreats, and the landscape as the protagonist.
Apart from the concrete base, the construction was conceived using glued laminated eucalyptus wood, wood frame, drywall, and dry slabs, in a system that reduces the consumption of materials, accelerates construction, and favors a cleaner, more precise, and easier-to-maintain building logic.
The program was designed to meet the needs of the owners, a couple seeking a weekend home in the mountains, with comfortable daily use and the capacity to accommodate family during visits. On the main floor, the kitchen, dining room, and living room form a large integrated space, next to the master suite. On the upper floor, three suites and an office are distributed in two wings connected by a walkway over the double-height ceiling of the living room.
More than a formal gesture, the double-height ceiling is a central part of the house’s environmental performance. In a region marked by cold nights and high temperature variations, the project was designed to efficiently capture the morning sun, warming the spaces throughout the day. Large glazed areas work in conjunction with the internal height and deep eaves, which filter excessive sunlight during the warmer months and help maintain thermal balance throughout the year. The result is a passive, resilient house attuned to the local climate, where comfort does not depend on excessive technology, but on site layout, solar orientation, ventilation, and design.
This same logic appears in the project’s material expression. The lower floor explicitly shows its relationship with the terrain through exposed concrete, raw stone, and a denser language. Above, the house takes on a lighter, more horizontal tone, marked by wood, transparency, and a long brise-soleil that enhances the street-facing facade, controlling privacy and light. On the opposite facade, the one that opens to the view, the contrast between concrete and wood dissolves under the filter of the existing tree canopies.
One of the project’s highlights is the viewpoint that extends the social area and connects the main residence to a second volume dedicated to wellness, with a spa, sauna, gym, and hot tubs. Facing the landscape, this pathway reinforces the experience of living in the mountains intensely, without resorting to obvious gestures or high-impact solutions. There, the view expands to the vegetation of the plot itself and reaches Pedra do Baú, one of the most emblematic geographical landmarks of the region.
At night, the house changes its register. With the internal lighting reflected in the wood, concrete, and glass panels, the volume lights up in the middle of the woods like a silent lantern. The trees begin to act as silhouettes, the architecture gains presence, and the project reveals once again its main quality: the ability to belong to the place without needing to dominate it.
Local:Santo Antônio do Pinhal, SPÁrea Construída:690 m²Área do Terreno:4.890 m²Período de Execução:2021 - 2025Equipe de Arquitetura:Pedro Cornetta, Renan Antiqueira, Luigi BorgesProjeto de Interiores:Pedro Cornetta, Renan AntiqueiraProjeto Estrutural de Concreto:ObratechProjeto Estrutural de Madeira:RewoodProjeto Hidrossanitário:ObratechProjeto Elétrico:ObratechProjeto de PaisagismoLand N CitiExecução de Obra:Itamar CostaExecução de Estrutura de Madeira:RewoodExecução de Paisagismo:Marcos MoreiraEsquadrias:JMarRochas Naturais:Calcare Revestimentos NaturaisFotografia:Manuel SáFilmagem:Manuel SáEdição de Vídeo:Pedro Cornetta





























































