Projeto para loft ecológico a ser construído no município de São Roque, São Paulo.

Situado em terreno amplamente vegetado e com topografia marcante, este projeto de moradia de veraneio com dimensões relativamente compactas mostra-se como interessante laboratório no âmbito das práticas ecológicas em arquitetura, engenharia e paisagismo.

A redução do impacto ambiental é o grande mote deste trabalho. Este conceito é o elemento norteador e decisivo em várias etapas do processo, desde a escolha da área a ser destinada até a definição dos materiais e sistemas construtivos empregados.

O terreno em questão é constituído por bosque nativo em aproximadamente 70% de sua extensão. Justamente os 30% com pouquíssimas árvores foi o trecho selecionado para a implementação do projeto. A ideia é claramente conservar o máximo de mata possível. A adoção da casa elevada, assim como a criação de um piso de serviços “embutido” na topografia, fundamenta-se na análise do perfil natural do terreno. A solução final de implantação adotada é aquela que propiciará o menor impacto ambiental nos arredores.

Quanto a arquitetura, o projeto pode ser dividido em duas etapas muito distintas. A primeira etapa, composta por todo o embasamento da casa que engloba muros de arrimo, lavanderia, depósito, solário e piscina, foi projetada utilizando técnicas tradicionais em alvenaria de bloco estrutural, alvenaria de pedra e concreto aparente. A etapa principal, correspondente ao pavilhão, foi elaborada tendo em vista o uso de sistemas de pré-fabricação e montagem, tais como o emprego de vigas em madeira laminada colada (MLC) e lajes em madeira laminada cruzada (cross laminated timber, CLT). A escolha dos materiais de acabamentos, tais como o aço corten e os painéis de pinho carbonizado, também demonstram uma vontade de fundir as texturas “naturais” presentes na arquitetura com entorno.

Após a implementação do projeto arquitetônico se dará o início do trabalho de reconstituição da mata atlântica no local mediante a projeto paisagístico. A ideia geral é, por meio de um projeto de arquitetura ecologicamente correto, conservar e valorizar a fauna e flora locais.