Projeto para uma de nossas casas de praia com aproximadamente 350 m² a ser construída na região da Praia do Forte, litoral da Bahia próximo a Salvador.

A sustentabilidade é o conceito predominante e se apresenta como o elemento que dá o tom neste trabalho. A opção pela divisão da massa construída em dois blocos, sendo o último constituído de dois pavimentos, permitiu a manutenção de todas as nove árvores existentes no local com destaque para a grande gameleira que, além de fornecer sombra abundante em todo o pátio central também se mostra como elemento organizador e de ligação de todo o conjunto. A delicada execução do primeiro pavimento solto do chão, por meio de lajes piso “flutuantes” permitirá, além de uma melhor eficiência energética, a mínima alteração do solo original contribuindo assim para a manutenção das características naturais do local.

Assim como em outros projetos nossos para casas de praia, o apurado estudo da insolação e ventilação naturais se faz presente como agente ativo do desenho arquitetônico: o pavilhão assobradado possui aberturas em faces opostas e permite a plena passagem natural da brisa marítima enquanto seu vazio central, dotado de pé-direito duplo, propiciará abundante ventilação por meio da convecção natural do ar quente. Os grandes beirais da cobertura, além de marcantes elementos estéticos, são importantes recursos para a amortização tanto do forte sol da região quanto das pancadas de chuvas.

Neste trabalho optamos por mesclar nossas tecnologias construtivas industrializadas com algumas técnicas de construção mais tradicionais: toda a “bandeja” da laje piso do pavimento superior foi concebida utilizando o concreto aparente com fôrmas ripadas e toda a estrutura da cobertura será pré-fabricada utilizando vigamentos de Madeira Laminada Colada (MLC) também conhecida internacionalmente como Glulam. Esta opção, além de totalmente ecológica, permite uma obra totalmente limpa vinculada a uma estrutura mais leve, característica essencial devido aos grandes beirais propostos. A harmonia e contraste entre as texturas naturais da madeira e do concreto dão o aconchego nos ambientes e equilibram visualmente os grande planos envidraçados. Para o pavilhão térreo também é proposto um vão livre pleno de 18 metros por meio de duas grandes vigas em aço corten, acentuando assim a horizontalidade na fachada frontal do conjunto.